quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Arte de fazer um jornal diário - Ricardo Noblat

Na segunda aula do módulo texto discutimos o "Assim é, se lhe parece" do renomado jornalista e blogueiro Ricardo Noblat. Um texto que me causou um tanto de indignação e estranhamento, ainda mais quando a maior parte dos colegas disse que gostou. Mas a discussão acerca dele gerou uma boa aula sobre o possível fim do jornal impresso - e suas consequentes alternativas. Critico porque do jeito como foi escrito, Noblat passa a impressão de que o jornal impresso acabará no dia seguinte, além das inúmeras contradições que ele comete. Na página dezesseis a contradição é tanta que acontece após poucas linhas - quando diz a respeito dos fabricantes de papel e o reajuste dos preços; mas logo em seguida cita que o preço mais baixou que subiu. Depois, diz que várias empresas jornalísticas estavam literalmente quebradas, mas esquece de dizer quais. Será que ele não sabe que citações ajudam a deixar o texto mais convincente? Na listagem de deveres dos jornais, sugere que os jornalistas têm de "surpreender os leitores com informações que eles desconheçam". Deixando-se inferir que eles devem criar notícias - só pode ser isso. Um pouco depois diz que se deve "conferir menos importância às notícias de ontem e ocupar-se em antecipar as que ainda estão por vir". Tá bom, agora a nossa classe precisa ser, também, vidente. Será que ele consulta a Mãe Dinah para saber o que "está por vir"? Ao final da página dezessete, mais uma contradição; após fazer alusão de que eram necessários jovens para ajudar a renovar os jornais, ele diz que estes precisam ser minorias nas redações. Em seguida, já na página dezoito Ricardo Noblat diz que o jornal impresso teve seu atestado de óbito "assinado e lavrado em cartório pelo menos quatro vezes"; só que se esquece de dizer que, apesar de todas essas iminências do fim, o mesmo jornal impresso adaptou-se a elas e continua vivo.
Mas o maior dos absurdos, disparadamente, está no trecho que diz "Tenho dois filhos que estudam jornalismo. Uma vez formados, eles poderão enganar seus interlocutores para extrair informações e depois traí-los. Minha filha, que se formará em pedagogia, porém, deverá ensinar a seus futuros alunos que é errado mentir e trair" Ok, jornalista é mentiroso e traidor. Se algum dos filhos dele leu essa pérola, não deve ter convidado o pai para a formatura.
De bom, tão somente há o que a leitura mostra sobre a preocupação da TV com o 'espetáculo' em vez da verossimidade. E um trecho que é a pura verdade mas que não diz nada de novo - o que diz que jornalista gosta de trabalhar contra o relógio. Poderia enumerar mais contradições e impropérios ditos por um cara que tem admiração de muita gente; mas em resumo eu apenas aconselho a não ler esse texto - é perda de tempo. O melhor título para o texto dele seria "Assim não é, se lhe parece". Noblat ganharia mais se tivesse ficado quieto - ou se baseasse o texto só na hipótese a respeito do fim dos diários impressos. E os professores talvez devessem indicar uma leitura mais proveitosa. Uma pena eu não ter conseguido falar tudo isso em sala, as mãos levantadas eram muitas e o foco foi desviado (graças a Deus?), o que me fez desistir.

Durante a aula, o professor Pellanda mostrou seu E-book aos alunos. Um mês depois, o jornal da Globo exibiria uma reportagem sobre esses modernos aparelhos - que estão virando moda nos EUA. A matéria, de Jorge Pontual pode ser conferida no link abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=aJR_9F6DGOc


Após esse primeiro momento, com tudo (comigo) mais calmo, na volta do intervalo fizemos a divisão das editorias. E qual não foi minha surpresa, ganhei por sorteio o direito de escrever uma coluna para nosso jornal (céus, nunca ganhara nada por sorteio, nem bolacha recheada). Fiquei contentíssimo com o "presente" e o resultado pode ser visto num dos posts anteriores, sob o título de 'Basta de Provincianismo'.

Gabriel Araujo

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