quarta-feira, 1 de julho de 2009

Basta de Provincianismo

Sinceramente, não entendo esse orgulho que toma conta dos gaúchos, só de nascerem aqui pensam que são superiores. Os habitantes de um cantinho da América só faltam intitularem-se Deus, ainda assim há aqueles que cantam que Ele foi Maragato ou foi Chimango (bah, com certeza o Senhor deve ter tido uma preferência na Revolta Federalista). O pior de tudo é que esse sentimento está passando de geração em geração, ao invés de sumir no tempo. Porque a história não é contada realmente como é, ela é contada com cada vez mais mitos. Se se perguntar para um guri por que ele tem orgulho do Rio Grande, ou ele não saberá dizer ou dirá algo irreal. A grande maioria das pessoas não sabe o que de fato foi a Revolução Farroupilha, e as que sabem riem desse bairrismo banal.
A Revolução Farroupilha foi uma guerra, elitista, pela importação do charque, da qual a “República Rio-Grandense” saiu humilhantemente derrotada – derrota essa camuflada por um tal acordo de paz. O charque do Prata tinha impostos de importação reduzidos e era melhor, o que levava o Império a comprar do Uruguai e da Argentina. A concorrência arruinava a economia do RS. Nada além disso. Daí, vão os torcedorezinhos da Dupla Gre-Nal cantar “Sirvam nossas Façanhas de modelo à toda Terra”. Façanhas? Que façanhas? “Foi o vinte de setembro o precursor da liberdade” Liberdade? O hino do Estado é uma bela farsa.
Não digo aqui para que se acabe com a cultura, a diversidade cultural desse país é encantadora. Nem quero que nossas tradições sumam, elas são bonitas. Aliás, essa é a parte em que não há razão para vergonha e para fim. O mate amargo ao fim da tarde, o chamamé bem escrito e cantado, as belas letras da música nativista, as payadas, o fandango bem dançado, aquele churrasco cheio de manias, o truco, a vestimenta, são o que há de bonito no MTG. Pode-se gostar de toda essa lista e não sentir orgulho algum, e não concordar com os ideais separatistas do mesmo Movimento – dos quais eu tenho medo e desgosto. O problema está no revanchismo, cada vez mais aflorado entre os jovens “gaudérios e ilhados”. Deixem de ser provincianos!
Em vez de se separar, quiçá fosse menos pior se o Estado acabasse. Seria um a menos nesse nosso tão imundo Senado. Melhor parar por aqui, pois tudo permanecerá igual. Quem não conhece seu passado está fadado a repeti-lo.

(texto escrito para o jornal da turma)
Gabriel Lima Araujo

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