Sinceramente, não entendo esse orgulho que toma conta dos gaúchos, só de nascerem aqui pensam que são superiores. Os habitantes de um cantinho da América só faltam intitularem-se Deus, ainda assim há aqueles que cantam que Ele foi Maragato ou foi Chimango (bah, com certeza o Senhor deve ter tido uma preferência na Revolta Federalista). O pior de tudo é que esse sentimento está passando de geração em geração, ao invés de sumir no tempo. Porque a história não é contada realmente como é, ela é contada com cada vez mais mitos. Se se perguntar para um guri por que ele tem orgulho do Rio Grande, ou ele não saberá dizer ou dirá algo irreal. A grande maioria das pessoas não sabe o que de fato foi a Revolução Farroupilha, e as que sabem riem desse bairrismo banal.
A Revolução Farroupilha foi uma guerra, elitista, pela importação do charque, da qual a “República Rio-Grandense” saiu humilhantemente derrotada – derrota essa camuflada por um tal acordo de paz. O charque do Prata tinha impostos de importação reduzidos e era melhor, o que levava o Império a comprar do Uruguai e da Argentina. A concorrência arruinava a economia do RS. Nada além disso. Daí, vão os torcedorezinhos da Dupla Gre-Nal cantar “Sirvam nossas Façanhas de modelo à toda Terra”. Façanhas? Que façanhas? “Foi o vinte de setembro o precursor da liberdade” Liberdade? O hino do Estado é uma bela farsa.
Não digo aqui para que se acabe com a cultura, a diversidade cultural desse país é encantadora. Nem quero que nossas tradições sumam, elas são bonitas. Aliás, essa é a parte em que não há razão para vergonha e para fim. O mate amargo ao fim da tarde, o chamamé bem escrito e cantado, as belas letras da música nativista, as payadas, o fandango bem dançado, aquele churrasco cheio de manias, o truco, a vestimenta, são o que há de bonito no MTG. Pode-se gostar de toda essa lista e não sentir orgulho algum, e não concordar com os ideais separatistas do mesmo Movimento – dos quais eu tenho medo e desgosto. O problema está no revanchismo, cada vez mais aflorado entre os jovens “gaudérios e ilhados”. Deixem de ser provincianos!
Em vez de se separar, quiçá fosse menos pior se o Estado acabasse. Seria um a menos nesse nosso tão imundo Senado. Melhor parar por aqui, pois tudo permanecerá igual. Quem não conhece seu passado está fadado a repeti-lo.
(texto escrito para o jornal da turma)
Gabriel Lima Araujo
quarta-feira, 1 de julho de 2009
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